Usuários e entidades apresentam novas contribuições ao Plano Diretor de Transporte Urbano
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| Divulgaçao/Agência Brasília |
As ações e obras voltadas à melhoria da mobilidade urbana do DF foram discutidas durante a 3ª audiência pública sobre a atualização do Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU) e a elaboração do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS). O encontro foi realizado neste sábado (24) pela Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob-DF), na Câmara Legislativa, e reuniu usuários do transporte coletivo e representantes de entidades civis, que apresentaram novas sugestões ao projeto.
De acordo com o secretário de Transporte e Mobilidade, Zeno Gonçalves, a participação popular tem sido decisiva para o aprimoramento das propostas. Segundo ele, o processo já contou com três audiências públicas, duas etapas de oficinas em todas as regiões administrativas, reuniões temáticas on-line e a disponibilização permanente do projeto e das propostas para manifestação da população. O secretário informou ainda que a equipe técnica já prepara a próxima audiência pública, que vai discutir o projeto de lei do PDTU.
O PDTU e o PMUS já acumulam mais de quatro mil contribuições. Ao final dos debates, os dois documentos serão unificados em um único projeto, que deverá ser analisado ainda este ano pela Câmara Legislativa para posterior transformação em lei. Na audiência deste sábado, a equipe técnica apresentou o prognóstico e as propostas voltadas à mobilidade urbana no DF.
O estudo técnico prevê 13 ações direcionadas aos modos ativos de deslocamento, que não utilizam veículos automotores. Entre as medidas está a implantação de rotas acessíveis, com o objetivo de garantir segurança e conforto para pedestres e ciclistas. A proposta contempla 847 quilômetros de ciclovias, 175 quilômetros de ciclofaixas e 28 quilômetros de ciclorrotas, além de ações voltadas à micromobilidade elétrica, travessias subterrâneas e instalação de paraciclos em estações de metrô e BRT, terminais de ônibus e pontos de parada.
As propostas do PMUS incluem ainda a implantação de zonas 30 em áreas residenciais ou próximas a escolas e hospitais, além da criação de ruas completas. Nesse modelo, há espaços definidos para todos os usuários, com prioridade para os modos ativos e coletivos. Nessas vias, a velocidade máxima permitida é de 50 km/h, com faixas segregadas para o transporte coletivo, ciclovias, calçadas adequadas e travessias seguras.
Segundo a engenheira do Labtrans, Fernanda Malon, as ruas completas devem ser implantadas em locais de grande movimentação, geralmente nas principais vias de cada região administrativa. Ela explicou que essas vias se integram às rotas acessíveis e às zonas 30. Um dos trechos previstos para receber esse tipo de intervenção é a Avenida Hélio Prates, em Ceilândia, onde também há previsão de implantação de um VLT e de travessias elevadas para pedestres.
No eixo do transporte coletivo, o projeto do PDTU trabalha com cinco cenários de obras e ações. No cenário mais abrangente, estão previstas intervenções de grande porte, como a implantação dos BRTs Norte, Leste e Sudoeste, o Anel BRT do Plano Piloto, a ampliação do metrô, a implantação de VLT em Ceilândia e Taguatinga, além de trens regionais para o Entorno, ponte sobre o Lago Paranoá e novo acesso para São Sebastião. As propostas totalizam 307,5 quilômetros de vias, sendo 181,4 quilômetros destinados ao transporte rodoviário e 126,1 quilômetros ao modal ferroviário.
Para o secretário-executivo do Instituto Movimento Nacional pelo Direito ao Transporte Público de Qualidade para Todos, Wesley Ferro, o trabalho técnico do PDTU e do PMUS está em estágio avançado, mas ainda é necessário ampliar o debate sobre a forma de execução das obras. Segundo ele, é fundamental criar um ambiente favorável para que o plano se torne realidade, com o apoio da sociedade, do Legislativo, do Judiciário e de setores estratégicos.
Wesley destacou que, sem o convencimento desses atores, o DF corre o risco de manter apenas um plano com boas intenções, sem efetiva implementação. Para ele, a mobilização e o apoio da sociedade são essenciais para garantir que as propostas avancem e se concretizem.
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