Depoimento à PCDF aponta contradições e bafômetro registrou teor quase quatro vezes acima do limite legal
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| Reprodução/PCDF |
Em depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal, o motorista Samuel Pereira Santos, de 30 anos, afirmou que passou toda a semana anterior ao acidente consumindo bebidas alcoólicas após descobrir uma traição. Ele é investigado pelo atropelamento que matou o radialista Juarez Vieira, de 64 anos, ocorrido no sábado (7), no Pistão Norte, em Taguatinga.
Segundo Samuel, ele enfrentava problemas pessoais e passou “a semana inteira enchendo a cara”. Apesar disso, alegou inicialmente que o atropelamento não teria sido provocado pelo consumo de álcool. Em seu relato, afirmou que trafegava dentro do limite de velocidade da via e atribuiu o acidente à conduta da vítima. “Eu estava bebendo, mas o acidente hoje não foi por conta da bebida. Eu estava dentro da velocidade da via. Quando entrei na curva, o rapaz saiu do gramado e entrou de uma vez [com a bicicleta]. Eu ainda tentei frear, mas foi em cima da bucha.”
A versão apresentada entra em contradição em outro momento do depoimento. Após negar que a bebida tenha influenciado o acidente, Samuel declarou: “Matei por causa de álcool, não posso mentir, matei uma pessoa”.
O motorista também afirmou que permaneceu no local após o atropelamento e tentou prestar socorro. “Eu pensei que seria linchado, mas eu fiquei lá. Fiquei sem reação. Eu matei uma pessoa. O que eu posso dizer a mais? (…) Eu estou com dó da família do rapaz. Eu queria ter a oportunidade de pedir desculpa.”
Ainda no depoimento, Samuel informou que a Carteira Nacional de Habilitação estava vencida e que o veículo possuía multa pendente. “Eu estou todo desmantelado”, disse. Ele também declarou que gostaria de pedir desculpas à família de Juarez, “mesmo que a culpa não tenha sido minha, em parte”.
O teste do bafômetro realizado após o acidente apontou 1,32 miligrama de álcool por litro de ar expelido, quase quatro vezes acima do limite que configura crime de trânsito. O resultado passou a integrar a investigação da Polícia Civil sobre as circunstâncias do atropelamento.
De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal, o ciclista foi encontrado com ferimentos graves e já em parada cardiorrespiratória. As equipes realizaram procedimentos de reanimação ainda no local.
Juarez Vieira era conhecido na comunidade e atuava como locutor da Rádio Atividade, onde apresentava o programa Acorda, Brasília. Nas redes sociais, compartilhava registros de pedaladas e demonstrava entusiasmo pelo ciclismo, atividade que praticava com frequência.
