De origem humilde, Manoel de Andrade relembra o caminho até o comando do TCDF e projeta um legado baseado no diálogo, na prevenção e na aproximação com a sociedade
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| Reprodução/TCDF |
O presidente e decano do Tribunal de Contas do Distrito Federal, Manoel de Andrade, construiu uma trajetória marcada pela superação pessoal e pelo engajamento com a vida pública. Natural do Rio Grande do Norte, ele chegou a Brasília em janeiro de 1973 e iniciou sua vida profissional em atividades simples, como servente, copeiro e garçom em hotéis da capital. Mais tarde, trabalhou como taxista, fase em que ficou conhecido como “Manoelzinho do Táxi”.
A entrada na política ocorreu na década de 1990, quando foi eleito deputado distrital em duas oportunidades. A experiência no Parlamento abriu caminho para novas responsabilidades na administração pública, culminando, em 2000, com sua nomeação como conselheiro do TCDF, cargo que o levaria, anos depois, à presidência do órgão em diferentes mandatos.
À frente do Tribunal, Manoel de Andrade consolidou uma gestão voltada para a prevenção e a orientação dos gestores públicos. A proposta, que ele define como “Tribunal da Pedagogia”, busca reduzir falhas administrativas por meio do diálogo, da instrução técnica e da antecipação de riscos, evitando longos processos e prejuízos ao erário. Para o presidente, muitos problemas decorrem mais da falta de orientação do que da má-fé, o que reforça a importância de uma atuação educativa do órgão de controle.
Outro eixo da atual gestão é a valorização do corpo técnico do Tribunal. Segundo Manoel, o TCDF conta com servidores altamente qualificados e comprometidos, capazes de produzir diagnósticos precisos sobre a administração pública. Ainda assim, ele defende que o trabalho do Tribunal deve ir além dos relatórios técnicos, ampliando a escuta da sociedade para avaliar se as políticas públicas estão, de fato, alcançando seus objetivos.
Entre os desafios acompanhados de perto pela presidência está a área da saúde, tratada como prioridade permanente. O foco, de acordo com Manoel de Andrade, é compreender as dificuldades enfrentadas na prestação dos serviços e buscar soluções a partir da análise técnica e do diálogo com todos os envolvidos, reconhecendo que melhorias estruturais exigem tempo, planejamento e esforço contínuo.
Com a aproximação da aposentadoria compulsória, o presidente adota um tom sereno ao falar do futuro pessoal, sem descartar novos caminhos, mas sem antecipar decisões. O que ele faz questão de enfatizar é o legado que pretende deixar: um Tribunal acessível, transparente e aberto ao cidadão, onde o controle seja exercido com responsabilidade, diálogo e compromisso republicano.
Ao relembrar suas origens como trabalhador do setor de serviços, Manoel de Andrade afirma que essa vivência influencia diretamente sua forma de se comunicar e de conduzir o cargo. Para ele, o TCDF deve ser uma instituição próxima das pessoas, sem barreiras formais desnecessárias, capaz de ouvir, orientar e colaborar. “O Tribunal não é de quem o preside, é da população”, resume, ao definir a essência da atuação que busca consolidar.
*Conteúdo produzido a partir de entrevista publicada originalmente pelo Jornal de Brasília.
