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Restaurantes comunitários garantem alimentação acessível e fortalecem rede de proteção social no DF

Com refeições a partir de R$ 0,50, unidades atendem milhares de pessoas diariamente e ampliam apoio à população em vulnerabilidade


Joel Rodrigues / Agência Brasília
Os restaurantes comunitários do DF têm se consolidado como suporte essencial para milhares de famílias que dependem de refeições acessíveis no dia a dia. Para a dona de casa Maurícia Barbosa Nascimento, 41 anos, frequentadora da unidade do Sol Nascente, o equipamento público representa mudança concreta de vida. Antes em situação de rua e atualmente beneficiária do programa Morar Bem, ela associa a conquista da moradia ao acesso regular à alimentação.

“Tinha dia que a gente nem comia. Hoje a gente pode ter o prazer, o orgulho de dizer assim: vou levantar e tomar um café. Eu sou muito grata, porque em nenhum outro lugar você acha uma refeição dessa por esse preço. É quase grátis, você não compra nem uma balinha com 50 centavos. Aqui você toma café da manhã com fruta, café, um pãozinho com queijo, é uma maravilha, eu só tenho a agradecer. Eu ganhei até uns quilinhos”, relatou. A neta, Sophia Sousa Nascimento, 8 anos, também aprova o cardápio, especialmente o strogonoff. “A comida é muito boa, a gente sai satisfeito daqui”, disse.

O DF conta atualmente com 17 restaurantes comunitários em funcionamento. Cada unidade serve, em média, 2,7 mil refeições por dia. Apenas em janeiro foram mais de 1,4 milhão de pratos distribuídos. Em 2025, o total alcançou 16,9 milhões de refeições, sendo 1,9 milhão destinadas à população em situação de rua. O investimento anual do GDF na rede é de aproximadamente R$ 96 milhões.

O valor das refeições foi reduzido ao longo dos anos e hoje o almoço custa R$ 1. Em 13 unidades, o café da manhã e o jantar são oferecidos por R$ 0,50 cada, permitindo acesso a três refeições por apenas R$ 2 ao dia. Esses restaurantes funcionam de domingo a domingo, inclusive em feriados.

Atualmente, café da manhã, almoço e jantar são servidos em Arniqueira, Brazlândia, Gama, Itapoã, Recanto das Emas, Riacho Fundo II, Samambaia (Rorizão), Santa Maria, Sobradinho, Sol Nascente/Pôr do Sol e Varjão. Já Ceilândia (DJ Jamaika), Estrutural e Sol Nascente oferecem café da manhã e almoço.

Desde 2019, quatro novas unidades foram inauguradas: Samambaia Expansão, Sol Nascente/Pôr do Sol, Arniqueira e Varjão. Além disso, passaram por reformas os restaurantes de Sobradinho, Gama, Paranoá, Santa Maria, Samambaia e Planaltina. A unidade da Estrutural está em obras.

A secretária de Desenvolvimento Social, Ana Paula Marra, ressaltou que o enfrentamento à fome é prioridade da gestão. Segundo ela, a redução dos preços, ampliação da rede e melhorias estruturais contribuíram para que o DF conquistasse o primeiro lugar nacional no Selo Betinho de ações de combate à fome.

Para o pedreiro José Estácio Filho, 55 anos, frequentador da unidade do Sol Nascente há três anos, o restaurante é parte da rotina e da sobrevivência. “Funciona de domingo a domingo, tem café da manhã, almoço e jantar. O atendimento é maravilhoso, uma atenção completa para a gente. E a comida é uma delícia”, afirmou. A esposa, Telma Moreira da Silva, 46, também destaca a qualidade das refeições. “A comida é boa, feita por nutricionistas, saudável, leve, com um preço bom e acessível. Tanta gente que não tem o que comer vem aqui, come e sai satisfeita”, disse.

Jacqueline de Santana Ribeira, 48, que também passou a frequentar o restaurante após receber moradia pelo programa Morar Bem, afirma que o espaço ajuda no equilíbrio do orçamento familiar. “A maioria dos dias a gente vem almoçar aqui, porque além de ser uma refeição completa, é econômico. Tomamos café da manhã, almoçamos e ainda levo marmita. Alimenta toda a família com qualidade”, relatou.

Além dos valores reduzidos, há cadastro específico para garantir gratuidade às pessoas em vulnerabilidade social. Durante a pandemia, o governo assegurou alimentação gratuita à população em situação de rua. O número de refeições destinadas a esse público saltou de 200 mil em 2021 para 1,2 milhão em 2024. Até abril de 2025, mais de 550 mil refeições já haviam sido servidas a esse grupo.

Em 2025, os restaurantes comunitários ultrapassaram a marca de 17 milhões de refeições oferecidas, cerca de 3 milhões a mais que no ano anterior e mais que o dobro do registrado em 2019. As unidades são geridas pela Subsecretaria de Segurança Alimentar e Nutricional.

Gerente da unidade do Sol Nascente, Márcio Oliveira destaca o impacto social do equipamento. “É uma ferramenta nesse sentido, eu classifico ele até como a vida da população, porque se você não se alimenta, você não tem vida, não tem saúde. Esse equipamento trouxe o direito à alimentação nesses três anos de existência e a gente, como liderança comunitária, percebe isso no dia a dia das famílias. A população está mais feliz, com mais gratidão. É uma política pública muito essencial para as periferias do Distrito Federal”, concluiu.