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Minas amplia tratamento que ajuda a evitar rejeição em transplantes e dobra número de sessões mensais

Expansão da plasmaférese terapêutica fortalece a rede estadual e passa a atender pacientes de diferentes tipos de transplantes


Carol Souza
A plasmaférese terapêutica, procedimento de alta complexidade que atua como um “filtro” do sangue, teve sua oferta ampliada em Minas Gerais. O Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) e da Fundação Hemominas, aumentou o número de sessões mensais de 25 para 60.

A técnica remove anticorpos e substâncias que podem provocar rejeição após transplantes de órgãos, contribuindo para que o organismo aceite o novo órgão com mais segurança e reduzindo o risco de perda do enxerto.

Com a ampliação, o procedimento passa a atender pacientes de diferentes tipos de transplantes com indicação clínica, incluindo rim, fígado, coração, pulmão e pâncreas. Antes da mudança, a plasmaférese era realizada apenas em casos de transplante hepático.

O secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, destacou que a medida representa um avanço importante na política pública de transplantes do estado.

“Estamos transformando a atenção aos pacientes transplantados, garantindo que tratamentos complexos cheguem a quem precisa, com segurança, qualidade e rapidez. A saúde pública mineira avança quando une técnica, gestão e cuidado com a vida”, afirmou.

Para a presidente da Fundação Hemominas, Kelly Nogueira, a ampliação também representa um avanço técnico e assistencial.

“A plasmaférese terapêutica representa não só um avanço técnico, mas também um gesto de cuidado e compromisso com a vida. A Hemominas tem orgulho de contribuir com expertise e estrutura para que mais pessoas tenham acesso ao tratamento que salva vidas”, ressaltou.

Para garantir a ampliação do atendimento, o Governo de Minas repassa cerca de R$ 4,32 milhões por ano para subsidiar o procedimento. Em 2025, também houve um repasse adicional de R$ 570 mil.

O investimento busca corrigir uma distorção histórica na tabela do Sistema Único de Saúde (SUS), que remunera cerca de R$ 17 por sessão — valor muito abaixo do custo real. Com a nova estratégia, o Estado passa a financiar aproximadamente R$ 6 mil por sessão, o que garante sustentabilidade ao serviço e incentiva a ampliação da oferta nos hospitais habilitados.

O procedimento é realizado por meio de uma máquina de aférese, semelhante à utilizada na hemodiálise. O sangue do paciente é separado em seus componentes e o plasma — parte líquida que pode concentrar anticorpos nocivos — é retirado.

A diretora técnica da Hemominas, Fabiana Chagas, explica que o volume removido é substituído por albumina ou plasma fresco, garantindo a estabilidade do paciente.

“O plasma retirado é substituído por um fluido de reposição, como albumina ou plasma fresco. Neste primeiro momento, a terapia é direcionada ao tratamento de complicações relacionadas aos transplantes”, detalhou.

Ao remover os anticorpos que atacam o órgão transplantado, a plasmaférese ajuda a reduzir a rejeição, melhora a resposta clínica e aumenta as chances de sucesso do transplante, sempre associada ao uso de medicamentos imunossupressores.

Atualmente, o procedimento é realizado de forma rotineira no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e na Santa Casa de Belo Horizonte.

Segundo Fabiana Chagas, a ampliação permitirá atender mais pacientes que aguardam o tratamento. “Existe uma demanda reprimida. Com o apoio da SES-MG, conseguiremos ampliar o atendimento e beneficiar mais pessoas”, afirmou. A Hemominas será responsável pelo fornecimento dos hemocomponentes utilizados nas sessões.

A eficácia do tratamento pode ser observada em histórias de pacientes que passaram pelo procedimento. A servidora pública Talitha Veneroso, mãe de Pedro, de sete anos, realizou dois transplantes duplos de pâncreas e rim, em 2014 e 2024, e precisou passar por sessões de plasmaférese durante o processo de recuperação.

“Durante o primeiro transplante, realizei dez sessões. Foi bem tranquilo e essencial para a recuperação”, relembra. No segundo transplante, a recuperação foi ainda mais rápida. “Hoje tenho uma vida plena e é impossível descrever a gratidão que sinto por poder ver meu filho crescer”, disse.

Outro paciente beneficiado é José Wenceslau da Aparecida, de 60 anos, que realiza o procedimento no Hospital das Clínicas, em Belo Horizonte, a cada 21 dias.

“Era motorista e, como fazia hemodiálise, tive que me aposentar por causa do tempo que passava ligado à máquina. Hoje posso comer e beber de tudo, aproveitar minha vida com minha família e viajar. A principal diferença é a liberdade de ir e vir, o que mudou completamente a minha vida”, contou.