Especialistas orientam coleta frequente do molusco e cuidados para evitar riscos à saúde e novas infestações
![]() |
| Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF |
Com o período de chuvas, quintais e terrenos úmidos com vegetação alta tornam-se ambientes favoráveis para o surgimento do caracol africano. A umidade elevada intensifica a atividade do molusco, que pode representar riscos à saúde caso não haja controle adequado e manejo contínuo.
De acordo com o biólogo Israel Moreira, da Diretoria de Vigilância Ambiental (Dival) da Secretaria de Saúde do DF, a principal forma de evitar a proliferação é manter vigilância constante. “A coleta deve ser diária ou ao menos três vezes por semana, especialmente após a chuva ou em horários mais frescos do dia, quando os animais estão mais ativos”, explica.
Segundo o especialista, manter os quintais limpos, com vegetação baixa e livres de entulho ou restos de materiais de construção é fundamental para evitar a infestação.
Caso o caracol seja encontrado em casa, o próprio morador pode fazer a coleta, sempre utilizando luvas ou sacos plásticos para evitar contato direto. Os animais devem ser colocados em um balde ou lata metálica. Também é importante procurar pelos ovos, que geralmente ficam semienterrados em locais úmidos, sob folhas, entulhos ou restos de construção.
Após a coleta, tanto as conchas quanto os ovos devem ser esmagados com um martelo ou pedaço de madeira. A quebra das conchas é necessária para evitar o acúmulo de água, o que poderia transformar o material em criadouro do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, da febre chikungunya e da zika.
“Após esse processo, é necessário adicionar uma solução na proporção de um litro de água sanitária para três litros de água, o suficiente para deixar os caracóis submersos. É muito importante cobrir o recipiente para evitar fugas e deixar de molho por 24 horas”, orienta Israel Moreira.
Depois desse período, os caracóis e os ovos devem ser drenados e colocados em sacos resistentes para descarte no lixo comum. Outra alternativa é enterrá-los. Nesse caso, o material deve ser colocado em valas com profundidade entre 80 centímetros e 1,5 metro, revestidas com uma camada de cal virgem, que ajuda a impermeabilizar o solo e evitar que outros animais sejam atraídos. O procedimento deve ser realizado longe de lençóis freáticos, cisternas ou poços artesianos.
A população também pode acionar a Vigilância Ambiental para orientação pelo telefone (61) 3449-4427 ou pelo Disque-Saúde 160. As equipes avaliam se o molusco é africano ou uma espécie nativa e orientam sobre o manejo adequado.
Conhecido popularmente como caramujo africano — cujo nome correto é caracol africano (Achatina fulica) —, o animal é considerado uma espécie exótica e invasora no Brasil. Hermafrodita, pode se reproduzir de duas a cinco vezes por ano, colocando entre 50 e 400 ovos a cada ciclo reprodutivo. Os ovos são brancos ou amarelados e têm tamanho semelhante ao de sementes de mamão.
A concha do caracol africano é marrom-escura, com listras esbranquiçadas, podendo chegar a até 15 centímetros de comprimento. A abertura possui borda afiada e cortante, além de uma ponta alongada na parte traseira. Essas características diferenciam o molusco das espécies nativas do Brasil, do gênero Megalobulimus, que apresentam conchas com coloração marrom-clara ou rosada.
Quando infectado por vermes, o molusco pode transmitir doenças a humanos, como meningite eosinofílica, que provoca inflamação das membranas do cérebro, e enterite eosinofílica, doença crônica que afeta o intestino delgado.
A infecção ocorre principalmente pela ingestão de larvas presentes em frutas, verduras e hortaliças que tiveram contato com o muco do animal. Também pode acontecer quando a pessoa toca o molusco sem proteção e leva as mãos à boca ou aos olhos antes de higienizá-las.
Por isso, especialistas reforçam a importância de lavar e higienizar adequadamente os alimentos. A recomendação é deixá-los por cerca de 30 minutos em uma solução preparada com uma colher de sopa de água sanitária para cada litro de água e, em seguida, enxaguá-los bem em água corrente antes do consumo.
