Dados do Censo Escolar mostram crescimento da modalidade no país e aumento de matrículas nas escolas do Distrito Federal
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| Tony Oliveira/Agência Brasília |
A rotina da estudante Juliana Dantas, de 16 anos, mudou completamente quando ela passou a estudar em tempo integral. Moradora do Cruzeiro Novo, a jovem ingressou no Centro de Ensino Médio Integrado (Cemi) da região e, além das disciplinas tradicionais, passou a ter contato com programação e tecnologia. “Quando eu vim para cá foi tipo um baque, mas depois fui me acostumando com o tempo integral. Eu gosto muito de estudar a linguagem técnica de programação. Quero fazer faculdade de engenharia da computação”, relata.
No Cemi, as aulas começam às 7h30 e seguem até as 17h30. Ao final da formação, os estudantes concluem o ensino médio regular e também um curso técnico em Tecnologia da Informação. “Eles saem prontos para trabalhar e para continuar estudando. Já colocamos mais de 40 alunos em universidades públicas. Fora os que entram em universidades particulares com Portal Único de Acesso ao Ensino Superior (Prouni), Financiamento Estudantil (Fies) e outros programas”, destaca o diretor da unidade, Getúlio Cruz.
A experiência de Juliana acompanha uma tendência nacional. Dados da primeira etapa do Censo Escolar 2025, divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mostram que a educação em tempo integral cresceu em todas as etapas da educação básica nos últimos quatro anos. O país alcançou a meta do Plano Nacional de Educação (2014/2024), que previa atender ao menos 25% dos alunos da rede pública nessa modalidade.
No DF, o avanço também é significativo. “O Distrito Federal, hoje, tem muito a comemorar, inclusive porque tivemos um salto na questão pedagógica. A meta para 2025 era que as crianças estivessem alfabetizadas com índice 6,3 e nós ultrapassamos essa meta, ficamos com 6,5. Isso mostra que, quanto mais cedo a criança é estimulada e entra no processo educacional, melhores resultados teremos no futuro”, afirma a secretária de Educação, Hélvia Paranaguá.
Dados do Educacenso mostram que o número de alunos em tempo integral na rede pública do DF passou de 46.702, em 2019, para 51.217, em 2024, um crescimento de 9,7%. Segundo a subsecretária de Educação Inclusiva e Integral, Vera Lucia Barros, o resultado reflete os esforços para ampliar o acesso à jornada ampliada nas escolas.
"Esse resultado expressa o esforço contínuo do GDF para ampliar o acesso à jornada ampliada e assegurar que mais crianças e jovens tenham oportunidades educativas integradas e de qualidade”, afirma.
Para fortalecer a estrutura das escolas, o governo também ampliou os investimentos. Em 2024, foram destinados R$ 15,5 milhões para a manutenção das unidades que oferecem educação integral e R$ 7 milhões para aquisição de equipamentos tecnológicos.
“Esses aportes fortalecem a capacidade das escolas de ofertar a educação em tempo integral com condições adequadas, promovendo a modernização dos ambientes pedagógicos e ampliando os recursos materiais disponíveis aos estudantes. Trata-se de uma ação estruturante, alinhada às diretrizes nacionais e às demandas contemporâneas da aprendizagem”, explica Vera Lucia Barros.
No Cemi do Cruzeiro, os estudantes também participam de atividades que vão além da sala de aula. Segundo o diretor, a escola oferece oportunidades em áreas como música, teatro e projetos ambientais, incluindo uma horta comunitária. “Aqui, os alunos criam laços de amizade e passam a se sentir parte da escola. Isso diminui o índice de violência na região”, observa Getúlio Cruz.
Para o estudante Lucas Tortoretti, de 15 anos, a rotina em tempo integral representa mais aprendizado e melhor aproveitamento do tempo. “Se eu não estivesse aqui estudando integral, provavelmente estaria em casa dormindo ou andando na rua. Aqui é melhor, porque estou sempre aprendendo alguma coisa”, diz.
Já Sara Teixeira, de 17 anos, que mora em Ceilândia e está no terceiro ano, vê na formação uma oportunidade para planejar o futuro. “Eu quero fazer faculdade de inglês e estudar estética para abrir meu próprio negócio”, conta.
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